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Errou no local de onde ele mora, mas isso é o menos importante. De fato, o Avelino Gonçalves reside no coração da cidade do Porto.
Como sindicalista, esteve na criação da Intersindical.
Há poucas semanas, no dia 27 de novembro, esteve presente na sessão comemorativa do centenário de nascimento desse outro grande sindicalista, Fernando Barbosa de Oliveira, realizada na sede do SINAPSA, no Porto.
Enquanto as pernas o levarem, ele irá. Sempre na luta e com os trabalhadores.

Avelino Gonçalves na cerimónia de homenagem ao Fernando Barbosa de Oliveira
Chama-se Avelino Pacheco Gonçalves, nasceu no ano em que começou a II Guerra e foi o pai político do salário mínimo. Do salário mínimo, do direito a férias remuneradas e da possibilidade de existirem associações e sindicatos. Avelino está vivo e bem conservado, continua comunista, militante da CGTP e aposto que hoje se levantou da cama com a energia do jovem bancário que, com pouco mais de trinta anos, assumiu o lugar de ministro do Trabalho no I Governo Provisório, liderado por Palma Carlos. O executivo durou dois meses, mas nenhum ministro ou secretário de Estado do Trabalho, antes ou depois dele, conseguiu deixar uma marca tão profunda e revolucionária. Um verdadeiro feito. Avelino, que me dizem morar em Cinfães, perto da serra de Montemuro, partilhou a mesa do Conselho de Ministros com Sá Carneiro, Soares e Cunhal e nunca se acanhou. Foi ele a anunciar a decisão que representou uma melhoria nas condições de vida de mais de dois milhões de portugueses. Desapareceu depois das nossas vistas. Nunca deixou de ser comunista e sindicalista, nunca deixou de estar empregado na banca, fez parte de alguns conselhos fiscais, nomeadamente no Montepio, mas sumiu-se da vida pública sem ocupar qualquer lugar de relevo nos cinquenta anos a seguir. Não deixa de ser estranho. O homem das férias e do salário mínimo, um homem que deveria estar num qualquer panteão de heróis, nunca deixou de ser um anónimo. Chama-se Avelino, está bem conservado e a esta hora, aposto, sabe mais do que nós sobre a greve geral.
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