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Publicado por SINAPSA em Maio 1, 2026
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Por um Museu da Resistência Antifascista no Porto

O SINAPSA apoia a iniciativa promovida pela URAP no dia 9 de Maio de 2026, às 15h, junto ao edifício do Heroísmo, antiga sede da PIDE no Porto.
Há 52 anos, aconteceu ABRIL
“Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era Liberdade”
 
“Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão”
Milhares desses Homens e Mulheres estiveram presos, aqui, no edifício do Heroísmo, onde durante 40 anos esteve instalada a polícia política, a tenebrosa PIDE, no Porto. Aqui foram maltratadas, humilhadas, submetidas a cruéis torturas mais de 7600 pessoas e, pelo menos dois desses presos, foram assassinados.
Também foram protagonistas de várias fugas, bem-sucedidas, apesar do risco, para, em Liberdade, continuarem a luta pela justiça social, a democracia e a paz, pelo país que amavam, a cujo povo pertenciam e queriam livre e feliz.

EM 26 DE ABRIL CUMPRIU-SE UMA DAS PROMESSAS DA REVOLUÇÃO

Abriram-se as portas das prisões.

FORAM LIBERTADOS OS PRESOS POLÍTICOS.

Muitos deles, aqui no Porto, outros, em Caxias e em Peniche, cumprindo vários anos de prisão, privados do convívio com as famílias e de exercerem os seus direitos de cidadania.
A partir desse dia, exigiu-se que este edifício, o do Heroísmo, fosse reservado à memória da luta e resistência antifascista como testemunho a preservar junto das novas gerações. Nem outro destino deveria ter, acreditava-se.
Mas não pensaram assim os responsáveis políticos que deviam cumprir essa exigência. Não entenderam que este era, como é, o espaço natural para ser instalado o MUSEU DA RESISTÊNCIA NO PORTO.
Tendo ficado o edifício sob a tutela do Ministério da Defesa, decidiu este requalificar o espaço e instalar aqui o MUSEU MILITAR, inaugurado em 1980. 
Em consequência, foi demolido UM DOS EDIFÍCIOS PRISÃO E ESTRUTURAS DE APOIO, ficando a memória decapitada de importantes referências materiais.
Mas o povo não esquece e, quer a URAP quer outras vozes imbuídas do mesmo espírito, não desistiram desse desígnio.
A URAP, cuja existência cumpre 50 anos no próximo dia 30 de Abril, tem desenvolvido, através do seu Núcleo do Porto, uma intensa e persistente acção de recuperação do espaço. Desde a homenagem que prestamos aos resistentes, junto ao edifício, em todos os aniversários da Revolução, às visitas guiadas que promovemos, a iniciativas de outro tipo (cinema de contexto, sessões comemorativas, recolha de depoimentos de antigos presos e suas famílias), tudo tem sido feito, apesar das dificuldades encontradas em muitos momentos.
Foi dessa acção que resultou o Projecto Museológico “DO HEROÍSMO À FIRMEZA” - PERCURSOS DA MEMÓRIA NA CASA DA PIDE NO PORTO (36/74) da autoria do docente e investigador da FAUP, arquitecto Mário Mesquita, apresentado pela URAP à hierarquia militar e à Assembleia da República que, em SESSÃO PLENÁRIA de 2 de Julho de 2015, o acolheu e recomendou ao Governo que apoiasse a respectiva implementação.
Em 1 de Setembro de 2015, foi firmado entre o Exército Português e a URAP o Protocolo que ainda hoje vigora e nos responsabiliza pela manutenção do espaço, onde se situavam as salas de interrogatório e tortura e outros, como celas que faziam parte da prisão.
Sem apoio material do Estado, tem sido com recurso a contributos individuais e de instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Eng.º António de Almeida, Fundação Oriente e outros, a quem temos recorrido, sempre em situação precária, que temos respondido a algumas das necessidades que a implementação suscita.
Não é ainda o Museu, mas abre caminho a esse objectivo.
Nesse sentido, têm sido apresentados e aprovados na ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA vários Projectos de Resolução, com vista à deslocalização do MUSEU MILITAR DO PORTO para outro espaço, de modo a ser assumida a instalação do MUSEU DA RESISTÊNCIA ANTIFASCISTA NO PORTO, NO LOCAL QUE LHE É NATURAL.
> A última Resolução foi aprovada em 26 de Setembro de 2025, recomendando ao Governo que:
> apoie a implementação em curso do Projecto Museológico “DO HEROÍSMO À FIRMEZA” envolvendo a URAP;
> fixe a calendarização para a deslocalização do Museu Militar do edifício do Heroísmo, para aí instalar o Museu da Resistência Antifascista no Porto;
> crie a Rede Nacional de Museus da Resistência, em respeito pela autonomia do poder local, permitindo a articulação entre o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, de Lisboa, o Museu Nacional da Resistência e Liberdade, de Peniche, e o futuro Museu da Resistência, do Porto.
Apesar dos contactos encetados pela URAP, não nos foi, até hoje, informado que acções foram ou estão a ser promovidas, para cumprimento desta Resolução.
É CHEGADO O MOMENTO DE FAZER OUVIR PUBLICAMENTE A VOZ DE QUEM NÃO DESISTE DE RESPEITAR E PRESERVAR A MEMÓRIA DOS QUE LUTARAM E ARRISCARAM A VIDA CONTRA O REGIME FASCISTA QUE, DURANTE 48 ANOS, OPRIMIU E REPRIMIU O NOSSO POVO E QUE O 25 DE ABRIL ERRADICOU.

PELA LIBERDADE, A DEMOCRACIA E A PAZ!

Exijamos a instalação no edifício do Heroísmo do

MUSEU DA RESISTÊNCIA ANTIFASCISTA NO PORTO

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